Engenharia de Prompts
da intenção à instrução
Mais do que decorar uma fórmula, um jeito de estruturar pedidos para a IA: deixar claro o que precisa ser feito, dar o contexto necessário, definir critérios e reconhecer limites. O PTCFL é uma das formas de organizar esse raciocínio — e a lógica vai junto para outras ferramentas, outras tarefas, outras situações.
- Transformar uma necessidade em uma instrução clara para a IA
- Identificar quais informações, critérios e limites precisam ser explicitados
- Avaliar e ajustar uma instrução quando a resposta não atende ao objetivo
- Diferenciar uma conversa pontual de uma instrução persistente para um agente
Um modo de pensar para construir boas instruções — e um método para colocá-lo em prática
Cinco pilares. Os quatro primeiros existem em qualquer manual de prompt por aí; o quinto é o que transforma prompt de produtividade em prompt de responsabilidade — e é por isso que aqui o método tem cinco letras, não quatro.
| Pilar | O que você decide |
|---|---|
| P · Persona | Quem a IA deve ser. Define tom, postura e qual especialista ela assume. Ex.: “Atue como especialista em direito administrativo e linguagem inclusiva.” |
| T · Tarefa | O que fazer, com verbo de comando direto — Redija, Extraia, Analise, Revise, Simplifique. |
| C · Contexto | O cenário. É o antídoto da alucinação: a IA não sabe o que acontece na sua repartição. Ex.: “Com base na Lei 14.133”, “para público com baixa escolaridade”. |
| F · Formato | Como deve ser a entrega. Não aceite parede de texto. Ex.: “tabela com 3 colunas”, “ofício seguindo o Manual de Redação da Presidência”. |
| L · Limites | Os guardrails de equidade: o que a IA não deve fazer. Ex.: “utilize linguagem neutra; não presuma gênero ou raça; alerte se os dados carecerem de diversidade representativa”. |
O L quase nunca pode ser omitido
Quase todo prompt para serviço público tem algum risco de viés ou de linguagem excludente. Se num caso específico o pilar Limites não fizer sentido, tudo bem — mas diga por quê, em vez de simplesmente deixar de fora. Limite silenciado é limite que ninguém revisa.
O Novo Semáforo · Humanos no Comando. Regras de ouro no serviço público: use a IA para pensar melhor, não apenas mais rápido. Cada sinal traduz um princípio ético para o uso responsável da tecnologia no Estado.
🔴 Pare · dados sensíveis e decisões de alto risco
Proteja identidades e direitos. Além de nunca inserir dados sensíveis (CPF, saúde, justiça) em plataformas abertas, pare e questione antes de automatizar processos. A IA não deve ser usada para tomar decisões finais que afetem direitos do cidadão sem a Avaliação de Impacto Algorítmico.
Lembre-se: os dados refletem a sociedade — cuidado com exclusões indiretas, como o CEP ou o bairro que a máquina associa à renda ou à raça.
🟡 Atenção · alucinações, vieses e apagamentos
A máquina reproduz o passado. Além de inventar fatos e leis, ela carrega preconceitos históricos, podendo gerar conteúdos enviesados ou apagar o contexto de grupos minorizados.
A responsabilidade ética e jurídica pela assinatura do documento público é inteiramente sua. Exerça o discernimento e audite o resultado.
🟢 Siga · produtividade crítica
Autonomia tecnológica. Use a IA para ganhar tempo na estruturação de textos e resumos, mas vá além: transforme a IA em um Agente Crítico de Apoio. Utilize a tecnologia a seu favor para revisar a acessibilidade da linguagem do seu próprio texto, identificar jargões burocráticos excludentes e promover uma comunicação mais democrática e transparente com a sociedade.
Tudo até aqui foi sobre pedir. Agora vem a virada: escrever a instrução de um agente é outra coisa, e quem trata as duas como a mesma acaba com um agente que só funciona quando quem o escreveu está por perto para completar o resto.
| Prompt de conversa | Instrução de agente |
|---|---|
| Você está lá para corrigir o rumo na mensagem seguinte. | Ela vale sozinha, para quem você não vai ver. Precisa antecipar o que a pessoa vai pedir errado. |
| Descreve uma tarefa: “redija este ofício”. | Descreve um comportamento: “sempre que pedirem um documento, ofereça o menu e pergunte o que falta antes de redigir”. |
| Vale para este caso. | Vale para todos os casos futuros, inclusive os que você não imaginou. |
| Se der errado, você reescreve e manda de novo. | Se der errado, dá errado em silêncio, para outra pessoa, num documento que já foi assinado. |
Daí três coisas mudarem de peso quando o prompt vira instrução. O Limites deixa de ser cuidado e vira o que segura o agente quando ninguém está olhando. O Formato precisa ser obrigatório, não sugerido — “em tabela, uma linha por achado” em vez de “pode usar tabela”. E aparece uma parte que não existe em prompt de conversa: dizer ao agente o que fazer quando faltar informação, em vez de deixá-lo completar sozinho.
Antes de considerar uma instrução pronta
- Ela funciona para alguém que não sabe nada do seu processo?
- Diz o que fazer quando faltar informação — ou o agente vai preencher a lacuna?
- O formato é obrigatório, ou é sugestão que vai ser ignorada na terceira resposta?
- Os limites resistem a alguém pedindo educadamente para ignorá-los?
- Você consegue explicar por que cada bloco está ali?
As três fichas do catálogo do módulo 07 são exatamente isto, escritas. Repare como cada uma resolve os três pontos acima de um jeito diferente — e leia a coluna “por que isto está aqui” ao lado de cada bloco: ela existe para você conseguir discordar com fundamento.
| Ficha | O que ela ensina sobre instrução |
|---|---|
| Agente Admin | Como um menu numerado tira da pessoa a obrigação de saber o nome do documento que ela quer. |
| Debatedor Crítico | Como um formato fixo em três blocos transforma crítica vaga em algo que se leva para uma reunião. |
| Auditor de Equidade | Como exigir evidência que confirmaria E evidência que refutaria impede o agente de afirmar viés no chute. |